quarta-feira, fevereiro 22, 2012




tenho uma estátua fluorescente da virgem
maria que me dá confiança e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados. o calvário dos fiéis
devia ser menos árduo.
tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa
caixa calendário daquelas em que cada dia
tem um chocolate.
tenho um lencinho branco onde limpo as
lágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv
depois da minha última ceia de hoje.
às vezes quando o vapor é muito, tenho o
salvador no espelho. deito-me de consciência
limpa, não me esqueci das velinhas, nem de
deixar a moedinha na caixa, e o meu "livro de
orações" tem um delicioso cheiro a mofo.
dormirei o sono dos justos e talvez não acorde
quando o galo da minha vizinha cantar três
vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
sinto-me bem e deus queira que consiga não
me masturbar.
ámen.



Nuno Marques
A Naifa - 3 Minutos antes de a maré encher

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Será que é?


Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência.


Rui Barbosa
Imagem retirada da net

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

A Verdade


Um dia, a Verdade andava visitando os homens sem roupas e sem adornos, tão nua como o seu nome.
E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas-vindas. Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.
- Verdade, por que estás tão abatida? perguntou a Parábola.

- Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!

- Que disparate! riu a Parábola... não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade vestiu algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem-vinda.

Pois os homens não gostam de encarar a Verdade nua; preferem-na disfarçada.



Conto judaico
Imagem retirada da net

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Só para ti...

Pelas curvas, vales e montes do teu corpo que, toda nua, me deixas explorar...
Entrego-me completamente à mulher desejada e amada.
Hoje, meu amor, perante a beleza da tua nudez...
Totalmente rendido...

Vou dizer que te amo assim...









Fotos retiradas daqui:
http://teasing-n-pleasing.tumblr.com/

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

O Bicho


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem...



Manuel Bandeira
Foto retirada da net


segunda-feira, fevereiro 06, 2012

O teu riso


Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.



Pablo Neruda
Foto retirada da net

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Cavalga-me mulher


Cavalga-me mulher
o corpo inteiro
cavalga-me desnuda
Vem louca ou vem muda
meu corpo te quer
sem preceitos
sem preconceitos
apenas mulher

Sem pudores
e sem nexo
quero teu prazer
quero apenas ser
parte do teu sexo

Quero que me molhes
com a vulva quente
com a vulva ardente
cheia de desejos
quero teus lampejos

Cavalga-me
eu deitado na cama
e teu corpo me ama
e tua unção se derrama
cavalga-me

Quero o teu batismo
águas de exorcismo
que me benzem todo
quero todo airoso
ver verter-se o gozo
do teu paroxismo

Cavalga meu corpo
cavalga meu rosto
quero sim teu gosto
leva-me até o céu
esfrega-te em mim
esfrega-te assim
sem rumo e ao léu

Lambuza-me o sexo
me deixa perplexo
só tu sobre mim
vou sentir-te assim
vem me receber
quero me afogar
no teu doce mar
mar do teu prazer



Imortal
http://www.recantodasletras.com.br/

Foto retirada da net

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A Penumbra



Uma noite em claro estou, eu não sei rezar
Pensamento inútil vou tentar-me anular
Fiquei triste, triste sou, eu não sei rezar

Vem que a alma se afunda
Nesta imensa penumbra
Que a noite me está morrendo
Que a noite me está morrendo

Minha noite um brilho tem, um sinal plebeu
Não tenho malícia mãe, o descuido é teu
O amor não se nega nem a quem nega o seu

Uma noite em claro estou a saber de mim
À flor da minh’alma sou princípio do fim
Quem me prendeu, quem me amou
Não cuidou de mim



Jorge Fernando
Ana Moura - Leva-me aos Fados

sexta-feira, janeiro 27, 2012

O Sr. Silva...

Não consegue fazer face às despesas com 6.800 (seis mil e oitocentos) euros mensais...



Foto retirada da net

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Uma evidência


"...um fraco rei faz fraca a forte gente..."


Luís de Camões, Os Lusíadas

sexta-feira, janeiro 20, 2012

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Simplesmente perfeito!


Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente.

Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.

Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.

E depois, estar pronto para o secundário e para o básico, antes de me tornar criança e só brincar, sem nenhumas responsabilidades. Então, tornar-me um bébé inocente até nascer.

Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà! - desapareço num orgasmo.



Woody Allen
Fot retirada da net

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Só entre nós


O beijo anuncia-se.
Já não consigo resistir-te...
Olhos nos olhos, percebes que desejo a tua boca.
E os teus lábios deixam-se colar aos meus, deixam passar a minha língua... E como é bom encontrar a tua...

De línguas enlaçadas, deslizando uma na outra, liberta-se o amor num beijo cheio de paixão.
Nem sei como, consigo interromper para um apressado "Amo-te tanto..."
E logo as bocas se unem, continuando o mais delicioso dos beijos. O beijo da mulher amada.

Nessa tarde, em que pela primeira vez, te acariciei, não sei quantas vezes me declarei.
E a primeira vez que te despi, não sei quantas vezes te vesti de beijos.
Não sei quantas vezes quis o teu mel, a primeira vez que te provei.
Não sei o quanto gemi por ti, a primeira vez que te penetrei.


Sei que, a primeira vez que me fizeste teu, entreguei-me completamente.
Fiz-te saber como gemo por amor. Fiz-te saber que, dentro de ti, não delirei só de prazer.

Nessa tarde soubeste que, apertavas entre as tuas pernas, o mais profundo amor por ti.



Toni
Foto retirada da net

sexta-feira, janeiro 13, 2012



Gosto de porcos. Os cães olham-nos de baixo, os gatos de cima. Só os porcos, nos olham de igual para igual.


Winston Churchill
Imagem retirada da net

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Eclipse

Habitas o meu pensamento, sorrindo...



Madredeus e a Banda Cósmica - Metafonia

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Vamos seguir o exemplo?


Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (8:00) e acaba cedo (15:30). Os pais noruegueses, têm uma parte significativa dos seus dias para proporcionarem aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou playstation. Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.

A riqueza que produzem, garante-lhes o maior nível salarial da Europa, que é também, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas, estádios de futebol ou auto-estradas. Só têm 660 quilómetros dessas "alavancas de progresso".

Na Noruega, a fuga ao fisco não é uma "vantagem competitiva". Ali, o cruzamento de dados "devassa" as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as "ofertas" de património a familiares.

Mais do que os costumeiros "bons negócios", deviam os empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos. Um correspondente da TSF naquele país, assegura que os ministros não se medem pela alta cilindrada das suas frotas.

Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes.

Os noruegueses sabem que não se "projecta o nome do país" com despesismos faraónicos. Basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade. 

Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratar milhões de euros para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.

Até os clubes de futebol noruegueses, nunca precisaram de pagar aos seus jogadores quatrocentos salários mínimos por mês para que eles joguem à bola.

Nas gélidas terras dos vikings também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu.
Não andam de jipe e óculos escuros. Não se queixam do "excessivo peso do Estado", para depois exigirem isenções e subsídios.

É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós. Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.



Recebido por email
Foto retirada da net

sexta-feira, janeiro 06, 2012



"Eis o mal deste tempo: Os loucos guiam os cegos."



William Shakespeare - King Lear
Imagens retiradas da net

quarta-feira, janeiro 04, 2012

A Vaca


Um velho mestre decidiu ir ter com o seu discípulo visitar a aldeia mais pobre entre as aldeias mais pobres da região. Quando chegou, dirigiu-se ao casebre mais miserável de todos.

Assim, o mestre e o discípulo entraram numa casa de pouco mais de seis metros quadrados na qual vivia pobremente uma família composta pelo pai, pela mãe, quatro filhos e dois avós. Contudo, apesar da penúria, aquela família possuía um bem, extraordinário, tendo em conta aquelas circunstâncias: uma vaca faminta cujo escasso leite lhes servia de alimento, insuficiente, é certo, mas o único que tinham.

O pai, pobre mas hospitaleiro, convidou o mestre e o discípulo para passarem a noite com eles. No dia seguinte, muito cedo, assegurando-se de que não acordava ninguém, o mestre disse em voz baixa ao discípulo:

- Chegou a hora da lição.

O mestre, sob o olhar atónito do discípulo, sacou de uma adaga e degolou a pobre vaca.

- Que espécie de lição é que deixa uma família sem nada de nada? – Queixou-se o jovem discípulo.

- Regressemos a casa – foi a única resposta do mestre.

Um ano mais tarde...

Mestre e discípulo voltaram à aldeia para saber o que tinha acontecido àquela família. Mas, no lugar onde antes estava o casebre miserável e sujo, erguia-se agora uma casa grande, limpa e bastante luxuosa.

Viram sair o pai. Estava bem vestido. Cheio de orgulho e com alguns quilos a mais. 

O homem, que não suspeitava de que o mestre e o discípulo tivessem sido os responsáveis pela morte da sua vaca, contou-lhes que, no dia em que tinham partido, algum invejoso tinha degolado selvaticamente o pobre animal.

- Aquela vaca era o nosso sustento. Toda a gente nos respeitava porque tínhamos algum leite. Quando vimos a vaca morta, percebemos que estávamos em verdadeiros apuros e que teríamos de reagir. E foi o que fizemos. Decidimos limpar o pátio que existe nas traseiras da casa, conseguimos algumas sementes e semeámos batatas e alguns legumes para comermos. Passado pouco tempo, percebemos que a nossa quinta produzia mais do que necessitávamos e começámos a vender. E, com os lucros, comprámos mais sementes, e assim tem sido até hoje. Acabo de comprar a casa em frente para plantar mais batatas e hortaliças e algumas…

Enquanto o orgulhoso pai continuava a falar sem parar, o discípulo deu-se conta de que aquela vaca tinha sido durante muito tempo não apenas o seu único bem, mas também a corrente que mantinha toda a família presa a uma vida de conformismo e de mediocridade.



Gabriel García de Oro (2011) - StoryTelling - A Magia das Palavras
(Fábula inspirada na versão do Dr. Camilo Cruz)



A mensagem

Mesmo que inconscientemente, temos sempre algo na nossa vida que nos serve de desculpa para não darmos o “próximo passo”. A maioria das pessoas tem a sua própria Vaca que as sustenta mas ao mesmo tempo as impede de crescer e evoluir.

"A vaca representa todo o pretexto, justificação, mentira, racionalização, medo ou falsa crença que nos mantém presos a uma vida de mediocridade e nos impede de atingir a qualidade de vida que realmente merecemos. Em geral, toda a vaca pertence a uma destas duas categorias: as desculpas e as atitudes limitadoras"
(Camilo Cruz, 2008)

Temos que assumir o risco e sair da nossa zona de conforto.
Nem tudo é fácil, para chegar mais longe temos que atravessar caminhos nem sempre agradáveis mas, com persistência, foco e dedicação, tudo é possível.



Recebido por email
Foto retirada da net

segunda-feira, janeiro 02, 2012