quarta-feira, dezembro 21, 2011

Mensagem do Governo português aos portugueses



José Cesário - Secretário de Estado das Comunidades

Pedro Passos Coelho - Primeiro Ministro


Foto retirada da net

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Tô Voltando...


(...)
Quero te abraçar
Pode se perfurmar
Porque eu tô voltando

(...)
Quero te agarrar
Pode se preparar
Porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som
Estreia uma camisola
Eu tô voltando

(...)



(...)
Telefone não deixa nem tocar
Quero la la iála la iá iá iá
Porque eu tô voltando




Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro
Fotos retiradas da net

quarta-feira, dezembro 14, 2011

O Tempo


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.



Mário Quintana
Foto retirada da net

segunda-feira, dezembro 12, 2011

O Primeiro Beijo


Durante todas as noites desse verão, as estrelas foram líquidas no céu. Quando eu as olhava, eram pontos líquidos de brilho no céu. Na primeira vez, encontrámo-nos durante o dia: eu sorri-lhe, ela sorriu-me. Dissemos duas ou três palavras e contivemo-nos dentro dos nossos corpos. Os olhos dela, por um instante, foram um abismo onde fiquei envolto por leveza luminosa, onde caía como se flutuasse: cair através do céu dentro de um sonho.

Naquela noite, fiquei a esperá-la, encostado ao muro, alguns metros depois da entrada da pensão. As pessoas que passavam eram alegres. Eu pensava em qualquer coisa que me fazia sentir maior por dentro, como a noite. As folhas de hera que cobriam o cimo do muro, e que se suspendiam sobre o passeio, eram uma única forma nocturna, feita apenas de sombras. Primeiro, senti as folhas de hera a serem remexidas; depois, vi os braços dela a agarrarem-se ao muro; depois, o rosto dela parado de encontro ao céu claro da noite. E faltou uma batida ao coração.

O mundo parou. Sombras pousavam-lhe, transparentes, na pele do rosto. O ar fresco, arrefecido, moldava-lhe a pele do rosto. E o mundo continuou. Ajudei-a a descer. Corremos pelo passeio de mãos dadas. A minha mão a envolver a mão fina dela: a força dos seus dedos dentro dos meus. Na noite,os nossos corpos a correrem lado a lado. Quando parámos: as nossas respirações, os nossos rostos admirados um com o outro: olhámo-nos como se nos estivéssemos a ver para sempre. Quando os meus lábios se aproximaram devagar dos lábios dela e nos beijámos, havia reflexos de brilho, como pó lançado ao ar, a caírem pela noite que nos cobria.


José Luís Peixoto, in "Cemitério de Pianos"
Foto retirada da net

quarta-feira, novembro 30, 2011

O burro que caiu no poço


Um dia, um burro caiu num poço e não podia sair dali.
O animal chorou fortemente durante horas, enquanto o seu dono, um camponês, pensava no que fazer.

Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: Concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria de ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena esforçar-se para tirar o burro de dentro do poço.

Chamou então os seus vizinhos para o ajudar a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a atirar terra para dentro do poço. O burro entendeu o que estavam a fazer e chorou desesperadamente. Até que, passado um momento, o burro pareceu ficar mais calmo.

O camponês, olhou para o fundo do poço e ficou surpreendido. A cada pá de terra que caía sobre ele o burro sacudia-a, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até ao topo do poço, passar por cima da borda e sair dali.

A vida vai atirar muita terra para cima de ti. Principalmente se já estiveres dentro de um poço. Cada um dos nossos problemas pode ser um degrau que nos conduz para cima. Podemos sair dos buracos mais profundos se não nos dermos por vencidos. Usa a terra que te atiram para seguir em frente!



Recebido por email
Foto retirada da net

segunda-feira, novembro 28, 2011

António Lobo Antunes dixit


“Nós nascemos e morremos sozinhos. A morte é uma coisa muito individual. O nascimento também. A solidão mantém-se desde o momento em que nascemos. No mais fundo de nós estamos sempre sozinhos. E é onde temos de tomar as decisões. Às vezes perguntamos: o que é que tu farias no meu lugar? É uma pergunta completamente impossível. Nas grandes decisões ...estamos sempre sós.”

“A minha relação com Deus é conflituosa. Sempre foi. Consola-me pensar que de vez em quando Ele constrói pessoas à sua medida. Um homem fora do normal demora muito tempo a fabricar.”

“Ninguém está preparado para morrer, mas muito pouca gente está preparada para viver.”

"Quem aposta no futuro é quem já se resignou a perder o presente.”

“A maçada da morte é que se fica morto muito tempo. Olhe há quantos anos o Afonso Henriques está morto.”



Excertos da entrevista do António Lobo Antunes à RTP, 14.Outubro.2011
Foto retirada da net

sexta-feira, novembro 25, 2011

A Letargia


"Primeiro vieram buscar os comunistas.
Eu não disse nada porque não era comunista.

Depois vieram pelos judeus.
Eu não disse nada porque não era judeu.

Depois vieram pelos sindicalistas.
Eu não disse nada porque não era sindicalista.

Depois vieram pelos católicos.
Eu não disse nada porque era protestante.

Depois vieram por mim e, nessa altura, já não havia ninguém para erguer a voz."




Martin Niemöller
Imagem retirada da net

quarta-feira, novembro 23, 2011

A Indiferença


"Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."



Eugen Berthold Friedrich Brecht (Bertolt Brecht)
Imagem retirada da net

segunda-feira, novembro 21, 2011

A Omissão


"Na primeira noite, eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."



Vladimir Vladimirovich Maiakovski
Foto retirada da net

sexta-feira, novembro 18, 2011

Espera, não vás ainda...



Antes, quero beijar-te na boca.
Quero amor e entregar-me todo a ti.




Dizer-te ao ouvido "...Amo-te..."
Mostrar-te como és desejada.
Como és amada.
Quero ser o teu homem.
Quero gemer por ti.



Toni
Fotos retiradas da net

quarta-feira, novembro 16, 2011

Quero voar


Quero voar
-mas saem da lama
garras de chão
que me prendem os tornozelos.

Quero morrer
-mas descem das nuvens
braços de angústia
que me seguram pelos cabelos.

E assim suspenso
no clamor da tempestade
como um saco de problemas
-tapo os olhos com as lágrimas
para não ver as algemas...

(Mas qualquer balouçar ao vento me parece Liberdade.)



José Gomes Ferreira
Imagem retirada da net

sexta-feira, novembro 11, 2011

Palavras


Era uma vez um rapaz que tinha um temperamento muito explosivo.
Um dia, o pai deu-lhe um saco cheio de pregos e uma tábua de madeira. Disse-lhe para martelar um prego na tábua sempre que perdesse a paciência com alguém.

No primeiro dia o rapaz pregou 37 pregos na tábua. Já nos dias seguintes, enquanto ia aprendendo a controlar a ira, o número de pregos martelados foi diminuindo gradualmente.

Ele foi descobrindo que, dava menos trabalho controlar a ira, do que ir todos os dias, pregar vários pregos na tábua...

Finalmente chegou o dia em que não perdeu a paciência uma vez que fosse.
Falou com o pai sobre seu sucesso e sobre como se sentia melhor por não explodir com os outros.

O pai sugeriu-lhe que retirasse todos os pregos da tábua.
O rapaz assim fez trazendo depois a tábua, já sem os pregos, entregando-a ao pai. Este disse-lhe:

- Parabéns, filho! Agora repara nos buracos que os pregos deixaram na tábua. Nunca mais será como antes. Quando falas com raiva, as tuas palavras deixam marcas como estas. Podes enfiar uma faca em alguém e depois retira-la, mas não importa quantas vezes peças desculpas, a cicatriz ainda continuará lá.

Uma agressão verbal, é tão violenta como uma agressão física.



Recebido por email
Imagem retirada da net

quarta-feira, novembro 09, 2011

Hoje


Acordei, levantei os braços, mexi o joelho, virei o pescoço… Tudo fez "crec"…

Conclusão: Não estou velho. Estou crocante.


Recebido por email

segunda-feira, novembro 07, 2011

A máquina (acordou)




Saber o que fazer,
Com isto a acontecer,
Num caso como o meu.
Ter o meu amor,
Para dar e pra vender,
Mas sei que vou ficar,
Por ter o que eu não tenho,
Eu sei que vou ficar.
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é meu,
E cedo, vou saber
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor,
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou,
Deixou de tocar.
Sentir e não mentir,
Amar e querer ficar,
Que pena é ver-te assim,
Já sem saberes de ti.
Rasguei o teu perdão,
Quis ser o que já fui,
Eu não vou mais fugir,
A viagem começou,
Porque este amor é meu
E cedo vou saber,
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor.
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou.
Deixou de tocar,
É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero é ser feliz,
É de pedir aos céus.
Porque este amor é teu,
E eu já só vou amar,
Que bom não acabou,
A máquina acordou.



Amor Electro - Cai o Carmo e a Trindade

sexta-feira, novembro 04, 2011

A Carroça


Certa manhã, o meu pai, homem muito sábio, convidou-me a dar um passeio pelo bosque e eu aceitei com prazer. A dado momento, deteve-se numa clareira e depois de um pequeno silêncio perguntou-me:
- Além dos pássaros, ouves mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos durante alguns segundos e respondi:
- Ouço um barulho, parece ser uma carroça...
- Isso mesmo! disse o meu pai, é uma carroça vazia.

Uma carroça vazia? Perguntei ao meu pai:
- Como é que sabes que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

O meu pai respondeu-me:
- É muito fácil saber que uma carroça está vazia, pelo barulho. Quanto mais vazia a carroça está mais barulho faz!

Cresci, e até hoje, quando vejo uma pessoa a falar demais, a gritar, no sentido de intimidar, a tratar os outros com arrogância, a ser prepotente, interrompendo constantemente as conversas, querendo demonstrar que é dono da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir novamente a voz do meu pai a dizer-me:

"Quanto mais vazia a carroça está, mais barulho ela faz…"



Recebido por email
Imagem retirada da net

sexta-feira, outubro 28, 2011

Chove!


Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.



José Gomes Ferreira
Imagem retirada da net

quarta-feira, outubro 26, 2011

Seios


Teus seios pequeninos que em surdina,
pelas noites de amor, põem-se a cantar,
são dois pássaros brancos que o luar
pousou de leve nessa carne fina.

E sempre que o desejo te alucina,
e brilha com fulgor no teu olhar,
parece que seus seios vão voar
dessa carne cheirosa e purpurina.

Eu, pare tê-los sempre nesta lida,
quisera, com meus beijos, desvairado,
poder vesti-los, através da vida,

para vê-los febris e excitados,
de bicos rijos, ávidos, rasgando
a seda que os trouxesse encarcerados.



Hildo Rangel
Foto retirada da net

segunda-feira, outubro 24, 2011

Fala-me assim...


Não escreva o que sentiria se acordasse comigo. Acorde comigo.
Não imagine meu cheiro. Me cheire.
Não fantasie meus gemidos. Me faça gemer.
O amor só existe enquanto amar.
Ação. Calor. Verbo. Presença. Milímetros. Hálito.



Gabito Nunes
Foto retirada da net

segunda-feira, outubro 17, 2011

Volume I


É com a maior satisfação que informamos que já está disponível o primeiro volume do "Manual para Entender as Mulheres".

Um Sensacional e inovador manual onde poderá encontrar todas as respostas para as suas pequenas e grandes dúvidas.



Recebido por email

sexta-feira, outubro 07, 2011


Fazes-me desejar ser o teu homem
Adoro agradar-te, seduzir-te, namorar-te
Contigo, só tenho pensamentos de amor
Quero encher-te de muitos beijos e carinhos
És linda, querida, amorosa, doce, encantadora
Deixas-me perdido de amor
Com vontade de ser teu
De te amar completa
O corpo delicioso
A alma tão bela



Toni
Foto retirada da net

quarta-feira, setembro 28, 2011

Hey you


Hey you, out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you, standing in the aisles
With itchy feet and fading smiles
Can you feel me?
Hey you, don't help them to bury the light
Don't give in without a fight.

Hey you, out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you, with you ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you, would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home.

But it was only fantasy.
The wall was too high,
As you can see.
No matter how he tried,
He could not break free.
And the worms ate into his brain.

Hey you, out there on the road
always doing what you're told,
Can you help me?
Hey you, out there beyond the wall,
Breaking bottles in the hall,
Can you help me?
Hey you, don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.



Pink Floyd - The Wall
Imagem retirada da net

segunda-feira, setembro 26, 2011

Hoje...


Não consigo parar de pensar em ti.
Por isso, decidi ligar-te para te dizer:

- Tens amor à tua espera. Desejo-te e vou amar-te todinha...



Toni
Foto retirada da net

sexta-feira, setembro 23, 2011

Crise da meia idade

Quando completei 25 anos de casado, introspectivo, olhei para a minha esposa e disse:
- Querida, há 25 anos nós tínhamos um carocha, um apartamento a cair aos pedaços, dormíamos num sofá-cama e víamos televisão a preto e branco num ecrã de 14 polegadas. Mas, todas as noites, eu dormia com uma mulher de 25 anos.

Agora, temos uma mansão, dois Mercedes, uma cama super King Size e uma TV plasma de 50 polegadas, mas eu durmo com uma senhora de 50 anos. Parece-me que és a única que não está a evoluir.

A minha esposa, que é uma mulher muito sensata, disse-me então, sem sequer levantar os olhos do que estava a fazer:

- Sem problemas. Sai de casa e encontra uma mulher de 25 anos de idade que queira ficar contigo. E se isso acontecer, com o maior prazer farei com que tu, consigas viver, novamente, num apartamento a cair aos bocados, voltes a dormir num sofá-cama e a conduzir um carocha...

Sabem que fiquei curado da minha crise de meia-idade?!

Estas mulheres maduras são realmente o máximo! Mas, PARA COMPLETAR eu ainda lhe perguntei:

- Querida, responde-me: onde está aquela mulher linda e sexy com quem eu me casei?

A minha mulher respondeu-me, novamente sem levantar os olhos do que estava a fazer:

- Querido, comeste-a! Olha bem para o tamanho da tua barriga!



Recebido por email

quarta-feira, setembro 21, 2011

O Sorvedouro



Sorvedouro - s.m. Redemoinho no mar ou no rio, que leva para o fundo o que nele cai; voragem. Abismo, precipício.

http://aeiou.expresso.pt/eu-nao-pago-o-buraco-da-madeira=f674778


Imagem retirada da net

sexta-feira, setembro 16, 2011

O plano


Se planear a um ano, plante arroz.
Se planear a 10 anos, plante árvores.
Se planear a 100 anos, eduque pessoas.



Provérbio Chinês

quarta-feira, setembro 14, 2011

Quando eu nasci


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…



Sebastião da Gama
Foto de Anne Geddes

segunda-feira, setembro 12, 2011

Uma pequena flor


Uma flor
Uma pequena flor
Que eu colhi
Só a pensar
Em ti
(...)


Entre Aspas
Imagem retirada da net

sexta-feira, setembro 09, 2011

Quando vier a Primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.



Alberto Caeiro
Foto retirada da net

quarta-feira, setembro 07, 2011

O sorriso


Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.



Eugénio de Andrade
Foto retirada da net

segunda-feira, setembro 05, 2011


Céu vazio, Sol gelado.
Vida sem cor, sem sabor.
Deserto que avança, inexorável, seca, asfixia, destroi.
A solidão, por vezes, traz a calma e o alívio aos dias sem sentido…



Toni
Foto retirada da net

sexta-feira, setembro 02, 2011

Os amantes sem dinheiro


Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.



Eugénio de Andrade
Foto retirada da net

terça-feira, agosto 02, 2011

40º à sombra



no fundo da avenida
bebendo um capilé
quarenta graus à sombra
nas mesas de café
e aquela rapariga
eu já nem sei o que dizer
o que fazer
o que dizer
o que fazer

aihaiah
mediterrâneo agosto
em pleno verão
aihaiah
o sol a pino e eu faço
uma revolução
aihaiah

parte um navio
desce a maré
vejo o céu vermelho
tomara que estivesse a arder
e aquela rapariga
eu já nem sei o que dizer
o que fazer
o que dizer
o que fazer

aihaiah
mediterrâneo agosto
em pleno verão
aihaiah
o sol a pino e eu faço
uma revolução
aihaiah

eu só te quero a ti
eu só te quero para mim
agosto aqui para mim
só tem um fim
é ter-te a ti
só para mim
agosto aqui
só para mim



Radar Kadafi

domingo, julho 31, 2011